O adeus à carne
Sempre me questionei sobre o que leva muitas pessoas a festejar o carnaval. Não é que não reconheça que é uma antiga tradição, que foi criada na antiguidade - pela força das fases lunares - e, mais tarde, adoptada pelo Cristianismo. Nessa altura o carnaval era marcado pelo "adeus à carne".
O que é que leva umas moças formosas de gordura e com débitos na beleza a estarem, em pleno Inverno (!), a abanarem-se em cima de uns tractores mascarados de carros, como quem está no Brasil? Não percebo. A sério que não percebo. E depois, não entendo o que é isso de ser Rei ou Rainha do Carnaval... Porque é que a Floribela num ano é Rainha de Torres Vedras e no outro Rainha de Loulé? Então, não foi esta semana que fez 100 anos que acabou a monarquia no nosso canto?
O que vejo é que se passou de uma festa marcada pelo "adeus à carne" para uma festa em que o que vende é outra carne, esta em cima de tractores, expostas sobre as principais vias das nossas terras para espanto e gáudio de alguns que até pagam para ver. Parece-me que é uma importação barata, e triste, do verdadeiro Carnaval brasileiro.
É o que tenho visto.


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