Domingo, Fevereiro 10, 2008

Quem cumpre as leis?

Foi no dia 2 de Maio do ano passado que o Ministro da Saúde, Correia de Campos, fez uma intervenção  na Assembleia da República sobre a lei do tabaco que entrou em vigor no 1° dia deste ano. Começou a sua intervenção dizendo que "O consumo de tabaco é, hoje, a principal causa evitável de doença e de morte". Mais à frente, e depois de ter utilizado com mestria uma mescla de referencias a leis, artigos e alíneas, normas e a directrizes comunitárias, elucida-nos que com a lei "visa-se proteger os cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco".

Congratulo-me por conhecer alguém que desvendou esse mistério que é o da morte. Ainda mais quando é o responsável máximo pela minha saúde. Se o Ministro conseguiu entender que o tabaco é a causa principal da doença e da morte, então, ultrapassou todos os estudos e poupou anos e milhões àqueles que ainda hoje investem o seu tempo e dinheiro na busca da correlação entre o tabaco, a doença e a morte.
Só é pena não ter anunciado a sua descoberta ao mundo mais cedo, pois, se assim fosse, o meu avô, que fumava 4 maços de tabaco por dia e morreu aos 96 anos, teria hoje 114 anos.

Então, depois de avisados os fumadores que vão todos ficar doentes e morrer, urge defender os que não fumam. Sim, porque os outros, os fumadores, coitados, vão ficar doentes e vão morrer.
-Proteger os cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco". É isto que preocupa este senhor. Só assim se entende que a lei não preconize apoios concretos e incentivos à realização de tratamentos para aqueles que fumam e que desejam parar. -Ah, é verdade, esses vão morrer...-.

Eu, que sou fumador, cumpro a lei. Não fumo em lugares proibidos. Por aquilo que vejo, todos os fumadores cumprem a lei; são todos um exemplo de civismo e respeito que é raro ver no nosso país.
Só tenho um desejo: que todos os portugueses cumpram todas as leis deste país, da mesma forma que os fumadores cumprem a nova lei do tabaco. Isso sim, seria brilhante. Infelizmente, não é o que tenho visto.

Escrito por carloscc em 11:06:31 | Link permanente | Comments (0) |

Terça-feira, Fevereiro 05, 2008

O adeus à carne

Sempre me questionei sobre o que leva muitas pessoas a festejar o carnaval. Não é que não reconheça que é uma antiga tradição, que foi criada na antiguidade - pela força das fases lunares - e, mais tarde, adoptada pelo Cristianismo. Nessa altura o carnaval era marcado pelo "adeus à carne".

Até aqui tudo bem. É mais uma época de festas em que o povo esquece a tristeza do seu dia-a-dia, e que se repete ano após ano, sempre igual e cada vez mais longe do seu sentido original. O que me espanta é a forma como ele é festejado no nosso país.

O que é que leva umas moças formosas de gordura e com débitos na beleza a estarem, em pleno Inverno (!), a abanarem-se em cima de uns tractores mascarados de carros, como quem está no Brasil? Não percebo. A sério que não percebo. E depois, não entendo o que é isso de ser Rei ou Rainha do Carnaval... Porque é que a Floribela num ano é Rainha de Torres Vedras e no outro Rainha de Loulé? Então, não foi esta semana que fez 100 anos que acabou a monarquia no nosso canto?

O que vejo é que se passou de uma festa marcada pelo "adeus à carne" para uma festa em que o que vende é outra carne, esta em cima de tractores, expostas sobre as principais vias das nossas terras para espanto e gáudio de alguns que até pagam para ver. Parece-me que é uma importação barata, e triste, do verdadeiro Carnaval brasileiro.
É o que tenho visto.
Escrito por carloscc em 22:07:38 | Link permanente | Comments (2) |